Indicação - A Importância do Ato de Ler de Paulo Freire


     Esta pequena obra de Paulo Freire, aglutina três artigos que se completam na construção dão bem elaborada de que a leitura é bem mais que ler e decodificar palavras, mas antes de tudo, um ato revolucionário que torna a prática da leitura um instrumento de libertação para o povo.
     Com a vasta experiência de nosso patrono da educação brasileira o livro aborda a leitura e a escrita sobre a ótica da luta e conscientização política, mas para além disso, sobre o prisma científico da temática em questão. Nessa obra, Freire nos enche de ânimo ao mostrar que a alfabetização deve ser um desafio mundial com vistas a libertar a população das amarras das escravidões modernas.
     Em seu livro Paulo Freire nos escreve de maneira clara e concisa, por meio de duas palestras realizadas e um artigo sobre sua experiência na Educação Popular da República Democrática de São Tomé e Principe.
     A sua tão célebre teoria que nos diz que, "a leitura do mundo antecede a leitura da palavra" é explicada de maneira clara e prática nessa obra, dando exemplos de maneira extremamente didática de como isso ocorre naturalmente. Outra ideia que nos enche os olhos, e por si só já vale a leitura dessa obra, é a que não há educação neutra, sendo toda educação um ato político, e que portanto os educadores assumem seus papéis políticos frente a educação, tendo, quando empenhados com o povo, a obrigação da educação como prática concreta de libertação e construção histórica onde o educando é também o sujeito de sua educação e, para muito além, sujeito de sua própria história.
     Destarte, a leitura dessa obra clássica da pedagogia mundial, nos mostra que, tanto educadores quanto educandos precisamos estar em constante processo de libertação, utilizando-nos da prática da leitura para, conscientemente, entendermos o mundo no qual estamos inseridos e escrevermos nele nossas próprias histórias, histórias que libertam e não mais aprisionem.
     Assim, essa obra nos provoca a inquietação e a reflexão de que, ao praticarmos a leitura cotidiana e, portanto, criarmos hábito de leitura, interpretação e construção de textos, poderemos nos mover em direção de sujeitos novos, homens e mulheres modificados pela realidade e modificando a realidade, de forma consciente e libertadora.
     Eis nessa obra salutar de Freire uma riqueza imensa de ideias e estratégias mentais para o trabalho de professor e para a prática alfabetizadora que liberta. Com a libertação de nossas leituras e reescritas do mundo, construiremos uma nova sociedade, mais justa e humanizada.

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